• Cain Mireen

A Pisada do Moinho e o trabalho da bruxa.

Sobre a Pisada do Moinho, a Dança, e o Trabalho da Bruxa.
“Chamo, chamo o Diabo......
“Chamo, chamo pelo Velho” Canto de conjuração por Cain Mireen

Dança-Bruxa

Após a Bruxa erguer e colocar a bússola, na qual alinha com a encruzilhada que forma o centro entre os Mundos, é a chegada hora de a Bruxa trabalhar no Acre do Diabo, rondando, correndo, pisando e movendo-se para aplicar o “poder".

Para atingir o “Trabalho” do pico mágico o praticante começará a mover em uma dança circula começando com um passo rítmico fraco na qual a sua intenção será trabalhada para o tal ato operativo. Quando a bruxa encontra-se no Acre do Diabo ou no Campo da Cabra, a bruxa estará atenta para o sentido que andará para movimentar as influencias ali conjuradas pelas estradas espirituais; para isso devemos entender o sentido do Sol como uma forma de trilhar e fazer o moinho girar.

Para isso a bruxa deve saber o sentido da pisada, na Arte Tradicional isso vai exercer uma influencia poderosa para alcançar os seus objetivos através da bruxaria, o sentido anti-horário que é seguido na direção da direita para a esquerda também chamada de “sinistro” é o sentido de construção, de nascimento, iniciação, de atração enquanto o seu oposto é dito o sentido horário que no popular conhecido como “destro” é o sentido da destruição, do negativo, de expulsão; Todo esse trabalho tem ligação com o sol.

O caminho do sol é visto pelo praticante que mora na terra do sul e diferente para o praticante da terra do norte que ver o caminho do sol, em contato com as forças celestes e a união com a terra que pisa o trabalho da bruxa forma uma verdadeira Cruz da Arte Mágica, sendo a ligação de cima com o debaixo.

O Moinho em seu uso moderno sugere danças circulares ilustradas em xilogravuras semelhantes da atividade no folclore das bruxas,pisar no moinho é o ato de andar em círculo, muitas vezes ao redor de uma fogueira, caldeirão, cajado ou do próprio Velho enquanto canta e entra em um estado onde você está entre os mundos.

Uma das referências do uso de Dança Circular é dos tempos medievais na qual para entretenimento era uma dança chamado de Carole (palavra francês medieval) ou "Dança do Anel" e outros nomes, na qual os participantes formava um grande circulo de mãos dados e realizava pequenos passos rápidos e saltitantes ao som da música que tocava, a dança com o seu lado mistico é uma ferramenta de aumento de poder, alteração da mente e "Estar entre os mundos" foi usado por muitos ao longo dos séculos como parte dos ritos do Oficio Tradicional e teve a sua origem parte dos ritos pagãos dos povos antigos e hoje na modernidade é visto em diferentes expressões religiosas na qual a dança circular possui um papel importante.A Dança da Serpente é uma dança em movimentos serpentinos conduzido pelo lider que realiza a magnifica dança dentro do Acre tomando uma forma serpentina na qual conjura o poder da Serpente Vermelha da terra, usado para acordar os poderes da Serpente Espiritual

Carole Dança Medieval Circular

A Dança do Moinho ou a Dança do Anel é uma forma dançante para atingir o pico da alteração da mente o extase provocado pela batida do tambor, passos rápidos e a respiração ofegantes na qual o "Moinho" em seu papel mstico é destacado pelo seu trabalho duro de moer o cereal quando mais rápido ele girar mais rápido a concentração de energia. Quando a bruxa realiza a Dança do Anel ela está em aliança com as forças ali presentes, reunidas, convidadas que fortalecer a união com o Velho, com os espíritos e a Serpente Vermelha.

Referências de que o moinho é usado para moer grão desde da sua criação nos tempos antigos e tudo isso possui uma ligação de sabedoria - bruxa - terra na qual a terra nos dá o milho o alimento abençoado e espiritual doado pelos Deuses Ancestrais e ele é colocado no moinho uma instalação para a fragmentação do alimento em seu estado bruto do milho, ou seja, a transformação do cereal dado pela terra para que haja a mudança para a farinha de milho como o resultado desse processo em termos de minha pratica, o mistério do Moinho dentro do Ofício Tradicional é herdado das antigas práticas rurais do povo do norte.

Pedra de moer


"O nome do próprio ritual refere-se aos antigos moinhos que funcionam em uma forma circular para moer grãos - novamente conectando Bruxas com trabalho da terra." The Crooked Path: An Introduction to Traditional Witchcraft de Kelden

Um círculo de demônios e bruxas, de Nathaniel Crouch, The Kingdom of Darkness, 1688.

O moinho é o corpo da bruxa na qual a pisada é a movimentação que começa no ritmo lento e acelera para a moagem do poder conjurado é visto uma forma de alterar a consciência para a pratica do trabalho, a bruxa é o seu próprio Moleiro que conduz o Moinho.

A Pisada do Moinho segue o caminho do andarilho celeste que é pisado pelo sol que nasce no leste, alcança o seu ponto como o Rei Solar ao norte a morada dos espíritos vermelhos e vai para o Outro Mundo ao oeste, ele caminha pelo sentido anti-horário o caminho do nascimento (leste), vida (norte) e morte (oeste) o sentido que gera a energia para o trabalho da bruxa para a construção do trabalho, da força que atrai o que deseja e do poder mágico do portador do sangue de fada.

No Oficio Tradicional o Moinho é pisado no “Sentido do Sol” para gerar poder e alterar a mente, mas para que serve o poder gerado dentro do Moinho; Quando a bruxa levanta a bússola ela cria uma cruz da Encruzilhada que habita não só esse plano, mas todos os planos espirituais então a bruxa passa a ser conhecida como “Cavaleiro da Cerca”, pois ela pulou a cerca para habitar outros reinos também. O espiritual é presenciado dentro do Acre quando a bruxa convida os espíritos, pois eles estão ali vigiando e sendo as testemunhas do rito.

Geralmente não uso todo o ritualística tradicional para colocar uma Bússola, mas sim uma Encruzilhada, uma forma pessoal de sacralizar um espaço de terra e tornar um ponto axial para a cerca, após formar a Cruz Espiritual e Arar a Terra e chegado a hora de trabalhar a “Pisada do Moinho”. Isso depende muito do que será trabalhado no centro da terra, geralmente uso bonecos para representar o alvo do meu trabalho, um fogo central queimando ou um caldeirão fervendo com um preparo, é muito opcional as ferramentas para focar a intenção para a pisada.

As bruxas de Salém; no centro um caldeirão fervendo algum preparo nota como ele está no centro do circulo de mulheres e bruxas.

A pisada começa de uma forma lenta sempre em sentido sinistro para ações de benefícios como a cura de um alvo esse sedo homem, mulher, uma criança ou uma família como todo e até mesmo um cachorro que está sofrendo por uma doença nesse caso, giro em torno do foco nesse caso um boneco preparado para o trabalho, braço esquerdo estendido para o centro e a cabeça inclinada para o lado do objeto olhando através do olho esquerdo e colocando em pratica o “Olho do Sapo” também chamado de “Fascinio” o dedo é apontado seguindo a antiga arte de jogar bênçãos ou maldições com o dedo indicador o próprio dedo que abençoa, algumas bruxas podem usar varas preparadas para isso como minha vara de aroeira para vários trabalhos mágicos que tenho ou a vara espinhenta para trabalhos pesados e de cunhos negros, enquanto eu piso de forma lenta vou cantando pequenos versos como esse de minha criação.

“Giro o Moinho,
Moi o milho
Giro o Moinho
Teço a magia”

A intenção do encanto é criado no meu espirito, o meu corpo começa a ganhar velocidade na pisada e realmente eu transformo no Moinho, nesse caso não sou eu que mói o milho e sim moi o “poder” que meu corpo gera para atingir o alvo do trabalho, eu piso na terra e o poder passa por min e é jogado para o centro da encruzilhada e a cada rodada é aumentado o ritmo e o cântico começa a ganhar uma força espiritual até que o meu espirito sabe que a hora chegou para jogar toda a carga energética para o centro nesse caso eu viro todo o meu corpo para o boneco com as duas mãos e rogo bênçãos e votos de cura para o alvo.

Para o Clã de bruxas ou um grupo de praticantes que queiram realizar a pisada do Moinho pode seguir o mesmo quando é trabalhado pela bruxa solitária, o poder gerado por Nove Bruxas é maior quando gerado por Uma bruxa, mas quando a Bruxa deseja de coração realmente e faz as engrenagens do Moinho mover espiritualmente ela tem o poder de Nove Bruxas de um clã. Pois ouço muito falar que um clã é mais forte que uma bruxa, realmente sim, mas a bruxa pode ser mais poderosa do que um clã, isso sim já ouvi acontecer.

Francesco Maria Guazzo, Bruxas dançando com o Diabo, Compêndio Maleficarum, 1608

Outra forma de Pisar o Moinho é o uso dentro dos Ritos Sabáticos para o Velho, após Sacralizar a encruzilhada e Arar a Terra, eu faço o que chamo de “Dança do Velho” isso pode haver outras interpretações diferentes para outros ramos tradicionais e bruxas do Velho Caminho, o meu forcado é colocado fincado na terra e transforma o Verdadeiro Bode Negro do Sabá entre os chifres é acesa uma luz para simbolizar a Chama do Sábio, feito todo o que tem que ser feito eu viro de costa para o Bode e começo a dançar com as mãos na cabeça imitando os chifres e cantando o seguinte.

“Seja de dia e seja de noite
O rei das Bruxas está aqui
Seja a meia noite ou meio-dia
O Diabo está atrás de min”


Na última curva, pare de costas para o Altar e ali comece seu grande cântico. Robert Cochrane

As bruxas dançam ao redor do diabo em um círculo

Fontes:


-Treading the Mill: Workings in Traditional Witchcraft by Nigel G Pearson

-Traditional Witchcraft: A Cornish Book of Ways by Gemma Gary

-A Deed Without a Name: Unearthing the Legacy of Traditional Witchcraft by Lee Morgan

-The Devil’s Dozen: Thirteen Craft Rites of the Old One by Gemma Gary

-Besom, Stang & Sword: A Guide to Traditional Witchcraft the Six-fold Path & the Hidden Landscape by Christopher Orapello

-Liber Nox: A Traditional Witch’s Gramarye by Michael Howard and Gemma Gary

-Children of Cain: A Study of Modern Traditional Witches

-The Robert Cochrane Letters: An Insight Into Modern Traditional Witchcraft by Robert Cochrane and Evan John Jones

-An ABC of Witchcraft by Doreen Valiente

-The Crooked Path: An Introduction to Traditional Witchcraft de Kelden


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