• Cain Mireen

Boitata, a Cobra de Fogo

Muito do folclore brasileiro é povoado por criaturas encantadas que se apresentam em forma animalesca como o Boitatá que é considerada uma cobra de fogo, o fato de até hoje as cobras de fogo povoar lugares tropicais e intocavéis pelo homem ainda vaga as memórias antigas de seus aparecimento e da sua forma de assustar quem vai atrás de prejudicar a floresta.


Boitata, uma cobra feita de fogo a protetora contra incêndios nas florestas e contra os animais.

Começamos falar do Boitatá, a criatura encantada do fogo que entre o povo índigena que mora nas matas amazônica consideram ele como "espirito do mal" por ser uma criatura que não tem piedade ao matar quando se trata de ofensa com as matas, e a fauna brasileira.

As histórias de Boitatá se deu origem com os índigenas até mesmo antes da colonização dos Portuguêses, a palavra Boitatá vem da língua tupi que significa Boi (cobra) e Tata (fogo) então ficou conhecio como Cobra-fogo, ou Cobra - de - Fogo.


Mas diferentes regiões do Brasil ele possui vários nomes, como Boitatá entre o popular e ainda mais como batatão; batal; Jean de la foice; Jean Delafosse; fogo-fátuo; embaê-tatá; fogo-fato; fogo-nado; embaatatá; e emba-atalá.


Também foi tema de uma das cartas do Padre Anchieta no dia 31 de maio de 1560 informava que havia outros tipos de fantasmas nas praias que vivem a maior parte no fundo do mar e dos rios e que são chamados de baê tatâ que significa "coisa de fogo".

"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados “baetatá”, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (In: Cartas, Informações, Fragmentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933)



Segundo Câmara Cascudo, o maior Folclorista do Brasil diz que o boitatá protege os campos contra aqueles que os incendeiam e as tradições populares figuram-no como uma serpente de fogo que mora nas águas, que as vezes transforma numa madeira em brasa, chamado de méuan, que faz morrer a pessoa que incendieam inultilmente os campos por combustão; Na maioria das vezes o boitatá é considerado uma alma penada "purgando os pecados", no nordeste, conhecem como Fogo Corredor.


Segundo o dicionário Houaiss, o boitatá é simbolizado por uma cobra de fogo ou de luz com dois grandes olhos, ou por um touro que lança fogo pelas ventas e está relacionado relacionado tanto à indicação de tesouros ocultos quanto à proteção dos campos contra incêndios.


Uma lenda conta ... "Diz a lenda que, muito tempo atrás, houve um período de noite sem fim, de grande escuridão nas matas brasileiras. Era um tempo sem estrelas, sem luz, sem vento. Depois, veio uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado para se protegerem. Foi então que a cobra, que vivia numa gruta escura e era o único bicho acostumado a enxergar na escuridão, acordou com a inundação e, faminta, saiu em busca de alimento. Os dias foram passando, e a chuva não parava. Choveu tanto que inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo. Então, a boiguaçu começou a comer os olhos de animais mortos que brilhavam, boiando nas águas. De tantos olhos brilhantes que a cobra comeu, ela se transformou nesse monstro brilhante que é o boitatá, cujo fogo não se apaga nem dentro d’água. "


No sul do Brasil, conta a lenda que Boitatá vem do tempo do Grande Dilúvio biblico, na qual as serpentes que sobreviveram tiveram como castigo o fogo, e nesta versão o fogo aparece na barriga de cada umas das quais se ilumina e ao mesmo tempo transparente, porém ele ainda pode se tranformar num touro negro que ao abrir a boca solta fogo e protege os campos.


Dentro das crenças o Boitatá pode se transformar num tronco de árvore em chama para enganar os invasores e principalmente queimar os destruitores das matas, muitos dizem que ao olhar pra Ele se torna cego ou louco (isso pode explicar muitos casos de pessoas ficarem loucas quando são encontradas perdidas nas matas).


Para se proteger do Boitatá não se dever correr, tenho certeza que seria o maior erro e sim ficar parado, imovél e travar a respiração para que o Boitatá não possa perceber a sua presença (caso você veja ele antes que ele veja vocÊ).


Existe ainda uma explicação científica para a ocorrência do boitatá: um evento chamado Fogo fátuo, onde os gases liberados pela decomposição de materiais orgânicos entram em combustão. A explicação para “perseguir” as pessoas seria a de que ao correr a pessoa cria uma área de vácuo atrás dela e o ar que preenche esse vácuo também atrair o gás, criando assim uma sensação de estar sendo perseguido.


Ainda corre lendas que o Boitatá pé protetor de tesouros escondidos, o lugar que ele esconde é o lugar que possui tesouros, ouros e objetos preciosos que está sobre seu poder.


Esses serem de uma forma acabam sendo esquecido pelos povos atuais, mas sempre farão parte do Caminho da Arte Mágica, das Bruxas que enxergam que esta Terra é abençoada por criaturas que entendem o nosso coração e entendem cada palavra que é pronúnciado ao bater de um tambor ou um maracá. O caminho da fé sem nome é isso, conhecer a sua arte da sua terra, do seu céu e do seu povo regional.


O Boitatá, uma criatura do fogo que traz a proteção dos campos e da vegetação nunca deve ser ignorado pelo seu poder de destruição.


Fonte: Meyer, Augusto. Guia do folclore gaúcho. Rio de Janeiro, Ediouro, sd, p.23-24 Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954

https://pt.wikipedia.org/wiki/Boitat%C3%A1


Bençãos da Cobra de Fogo, Aquele que protege os campos da Antiga Arte.

Felipe Cunha

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